segunda-feira, 16 de maio de 2011
sobram vagas no pré-natal
a filha da puta da beleza
um vai se foder à beleza
a estética assusta
mais que um coração dilacerado
mais que um prolapso da válvula mitral
a beleza
a fila do setor de cirurgia plástica não admite
atrasos porque a fila é grande e quanta gente aguarda
sobram vagas no pré-natal
sobram vagas na cardiologia mas na cirurgia
plástica não cardíaca
também na angiologia
sobram vagas no pré-natal
vão se foder os bebês
as enfermeiras elogiam o cartão de pré-natal onde constam em dia os exames as consultas os carimbos assim como os críticos elogiam a métrica as rimas a volúpia dos versos o selo da editora
venham ver que beleza:
os seios afilados os narizes siliconados esperando em série a revisão do doutor
sobram vagas no pré-natal e depois do parto lipoescultura
e que diferença faz se eu não sei dizer se sou eu quem tem os carimbos da consulta do pré-natal e não vou entrar na fila da lipoescultura que diferença faz a minha pontuação ou as medidas do verso cintura busto
esta outra mulher de quem só eu poderia ser a mãe
(a cada dia mais me julga)
(a cada dia acha que sabe mais de mim)
(a cada dia acha que manda mais em mim)
(a cada dia se sente mais responsável por mim)
à beira de uma morte que desconhece
(e que morte não se desconhece?)
esta mulher que só eu poderia ser
(a cada dia mais dela sou mãe)
(a cada dia mais ela sou)
este homem que ainda não é
(a cada dia pude menos ser mãe)
(a cada dia julgo mais necessário que mãe fosse)
(a cada dia sei mais distante compreender)
(e que vida se conhece?)
esta mulher que nunca foi por mim
(a cada dia mais eu culpo)
(a cada dia menos eu amo)
(a cada dia
a cada dia)
esta humanidade impregnada nas coisas que andam
(a cada dia a gente sabe mais e diz menos)
(a cada dia a gente diz mais e sabe menos)
(a cada dia a gente é mais perto e mais longe de ser)
quanto mais perto, mais morto
este pai que a gente é do homem
(a cada dia mais equivocado)
(a cada dia esclerosado)
escorado numa bengala que me compreenda
neste momento de não saber o momento
este sangue que ainda não é
este sono que não vai voltar porque não era
este parto que não sei quando
este deixar de ser duas e ser uma outra e mais outra
esta mãe só que vai morrer em mim para tê-la aqui e
[que ainda será só com ele lá
este coração que vai parar em mim e será vida a mais
PL122/2006
“Art. 8º-B Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs:
Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.”
..............................
§ 5º O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.”(NR)
quarta-feira, 4 de maio de 2011
constipação desse tempero insistente
à temperatura ainda nua do dia de hoje
vem como fosse carta tua letra
parece que se faz caligrafia quando
e que que a gente faz se isso pulsa tão fácil
e que que a gente faz se isso pulsa tão
e que que a gente faz
e que
riso é coisa tão séria, menino
que te cabe sem que te notem em mim
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Por que Fluminense?
segunda-feira, 11 de abril de 2011
colo fechadinho ainda mãe
talvez gases, prisão de ventre, mau humor, ciatalgia, lombalgia
ter ido ao médico custaria o transporte e muitas horas
agora já sei que não foi nada
esperar esperar esperar
uma sucessão de dias e sintomas
talvez nem tanto os sintomas, mas
talvez um sentimento profundo de que é agora
enquanto gases, prisão de ventre, mau humor, ciatalgia, lombalgia,
enxaqueca, sudorese, cáries, edemas, rinite
enquanto pudessem estar disfarçados no cotidiano seria ótimo
mas o cotidiano é de esperar esperar esperar:
não há disfarce que não permita perceber
não há justificativa para este texto senão
a tentativa de tornar cotidiana a espera
já que a escrita um dia foi
ainda não é a hora de um poema
colo fechadinho ainda mãe
sábado, 26 de março de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
pra essa gente aparecer na fotografia
ângulo certo
na sinuca na festa na praia com os gatos
em verdade em verdade o que
existem são as sombras do que alguém teria sido
ao travesseiro umas lágrimas de vazio
(aquela de braços dados com o Drummond é muito boa)
jamais se perguntar sobre o poeta estar de costas pro mar
domingo, 23 de janeiro de 2011
dinheiro pela janela
esse pai não me dá de morrer
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
da série das razões
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Composizione per tre voci
terça-feira, 23 de novembro de 2010
quer saber
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
lista de compras
sexta-feira, 16 de julho de 2010
da incomunicabilidade I
lançamento
Caros "leitores" (por mais irônico que seja tratá-los assim neste blog),
Tenho o prazer de convidá-los para o o lançamento do meu segundo livro de poemas, você não lê, que sairá pela editora oficina raquel junto com as medicinas, de sebastião edson macedo.
A noite de autógrafos ocorrerá no dia 20 de julho, terça-feira, no Bar Luis, a partir das 19h.
Bar Luis:
Rua da Carioca, 39 • Centro • Rio de Janeiro.
Junto com o livro, sairá o cd lida, com leituras de alguns poemas do livro por Ronaldo Lima Lins, Cinda Gonda, Sebastião Edson Macedo, João Pedro Fagerlande, Manuela Berardo, PH Wolf, Jimmy Charles Mendes, Rafael Lemos e Rayssa Galvão. Participaram também, no violão: Gabriel Otoni e Rodrigo Pastore, baixo: Rodrigo Pastore, flautas: Arthur Souza e Sebastião Edson Macedo, sanfona: Fred Michael Tkotz. o Rodrigo e o Gabriel foram os produtores.
Confira algumas faixas no www.myspace.com/pastorejulia.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

